Sabedoria

Novembro 2, 2009 luccannus 4 comentários

Sabedoria


Disse o sábio que o inferno abre as portas

Às consciências mortas;

Que o Céu revela sua Potência

Aos que não entraram em Moral falência.

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O Evangelho

Novembro 2, 2009 luccannus Deixe um comentário

O Evangelho


O Evangelho é Sagrado,

Sagrada Fonte de Luz;

Mostra-nos a vergonha do fanatismo ‘quadrado’,

E o indimensional Amor de Jesus.


O Evangelho é Bênção Divina,

Sagrada Fonte de Salvação;

No entanto, por mais que fascina,

Não salva sem a devida aplicação.


Vamos aplicar o Evangelho Dulcíssimo,

Com Jesus praticar a lição;

Vamos fazer brilhar o Evangelho, Valiosíssimo,

Com Jesus exercitando o Perdão.

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Impressões – Jesus

Novembro 2, 2009 luccannus Deixe um comentário

Jesus

Homem incomparável, tão Divino justamente por ser tão Humano. Humanidade, Amor, Virtude… Deus manifestado aos homens, Verbo Potente feito carne, Luz que ofusca o Sol… Todos os Sóis do Universo!

Embora tivesse em miras toda a Humanidade terrestre, mormente os Ocidentais – pois disse vir para os doentes, e a Humanidade é doente, especialmente o Ocidente, decadente, afastado da mística vertical, da verdadeira Espiritualidade: a Verdade, o Amor, Deus manifestado em Ética… –, foi ouvido por poucos e seguido por quase ninguém; por isso podemos brincar com as palavras e dizer que o mais Universal de todos os homens que andaram neste Planeta, o Cristo que desceu dos Céus para ofuscar a Potência e a Glória do Universo com Sua Sublime Humildade, o Rei-Carpinteiro da Galiléia, o Crucificado “infame” e mendigo desprezado por todos… Este homem que veio servir a Humanidade foi tão especial, sua mensagem foi tão valiosa que das centenas que Lhe seguiam os passos apenas Doze foram Apóstolos – e mesmo assim Jesus foi muito incompreendido! –; dos milhões que, hipocritamente, enchem a boca dizendo-se Cristãos, ao mesmo tempo em que cometem atrocidades mil, conta-se, muito provavelmente e sem exagero, nos dedos das mãos os que, ao longo de dois milênios, foram Crísticos, verdadeiros seguidores de Jesus, Apóstolos da Nova Era, tão Cristãos que sua simples presença nas páginas da História são suficientes para fazer se encher de vergonha o mais iminente teólogo, o mais respeitável dos Papas, o mais digno Pastor, o mais camarada dos Espíritas, etc…

E tão Universal é o Dulcíssimo Carpinteiro que o mais famoso de Seus últimos Apóstolos modernos veio do e permaneceu no Hinduísmo: Mahatma Gandhi, o homem admirável que não só renunciou ao cristianismo dos homens por Amor a Jesus e Fidelidade ao Cristianismo Divino – o único e verdadeiro Cristianismo – como também teve a ousadia de aplicar armas inusitadas para libertar seu país, a Índia, da escravidão imposta pela Inglaterra: o Amor, a Verdade, a Mansidão, a Não-Violência, a Fidelidade a Deus… Todas são armas tão potentes e magníficas que não poderiam ter sido ignoradas por Jesus, que entre muitas outras coisas sempre recomendou a Não-Violência, o Amor aos inimigos, a Fidelidade a Deus, o cultivo da Verdade: “Quando alguém lhe ferir na face direita, apresenta-lhe também a outra”, “Seja o vosso modo de falar um simples ‘sim’, um simples ‘não’; o que passa daí vem do mal”, “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”, etc…

Por mais que eu escrevesse minhas impressões sobre Jesus jamais conseguiria transformar em linhas claras toda a experiência e vivência de Cristo que me vai à Alma. E nisto não há exagero, pois é sabido que toda experiência e vivência são, em geral, impossíveis de serem passadas claramente de forma a serem analisadas e compreendidas intelectualmente, racionalmente apreciadas, no sentido comum do conceito. Isto, porém, não significa de modo algum que experiência e vivência sejam irracionais, pois nós podemos compreendê-las pela Emoção. Disto decorre que Razão e Emoção, na verdade, são a mesma coisa apreciada de modos diferentes: são como lados opostos dum mesmo tapete. Pois tudo vem de Deus, o Uno, a Suprema Divindade que une em Si Razão e Emoção, Masculino e Feminino, sem que haja algum tipo de distinção entre um Atributo e outro, pois tudo é Um no Uno – isto, que bem se diga, não é Panteísmo, mas Panenteísmo, também chamado Monismo. No entanto, o Uno, quando manifestado em diversas Existências, pode sim ter a aparência de vários fenômenos independentes entre si, especialmente se sua manifestação for apreciada segundo o nosso néscio ponto de vista.

Neste sentido, portanto, há muito mais verdade do que se costuma imaginar por detrás das palavras do maior poeta que a Inglaterra já produziu, e que está entre os maiores e mais geniais do mundo:  “O Coração tem Razões que a própria Razão desconhece”. De fato, nem tudo o que é racional tem de ser necessariamente apreciado pelo raciocínio – Deus, por exemplo –, pois a Emoção não se distingue da Razão na Essência, e por isto podemos compreender algo apreciando-lo pela Emoção sem que, com isto, deixemos de ser racionais. Santo Agostinho dizia que, quando não lhe perguntavam o que era Deus, ele sabia, mas quando lhe perguntavam, então ele não sabia. Ou seja: quando ninguém exigia dele uma análise intelectual sobre Deus, ele compreendia a Divindade com a Emoção, mas quando exigiam análises intelectuais sobre Deus, então ele se perdia e não conseguia expressar o que sabia, mesmo com todo o seu gênio. Isto ilustra o problema Razão-Emoção tratado aqui.

Diante de tudo isto em vão é tentar exprimir em palavras tudo quanto Jesus diz ao meu Espírito; bastará gritar ao mundo, em alto e bom som: viva Jesus, o Médico dos médicos, Filho de Deus, nosso Supremo Salvador!

Impressões – Astronomia

Novembro 2, 2009 luccannus Deixe um comentário

Astronomia

A mais bela das filhas da Física! Da Física, a mais elegante e imponente de todas as Ciências. Imponente, pois abarca tudo: desde a produção de energia das Estrelas até a Singularidade inicial – passando pela distorção no Espaço-Tempo causada por corpos massivos. Elegante, pois tudo isso descreve com a Matemática, essa espécie de língua universal que tanto nos alegra o coração quando descreve fenômenos tão potentes e complexos com a simplicidade duma equação!

É a mais bela das filhas da Ciência, a Astronomia, pois que regozijo não nos dá ao coração, que paz não nos concede ao Espírito faminto a simples contemplação do céu noturno, que revela-nos toda a potência e beleza do Universo! E que satisfação o saber que organicamente somos parte do Universo; que privilégio o sermos poeira das Estrelas…

Fico pasmo ao saber que há bilhões de anos toda a matéria do meu corpo estava “curtindo” o Espaço, fazendo parte duma gigantesca Nuvem Molecular que, um dia, foi perturbada por uma onda de choque, entrou em colapso, aqueceu-se e, por fim, deu origem ao Sol, aos Planetas, aos nossos corpos perfeitos, compostos de tantas células e tecidos: músculos, neurônios, nervos… Uma mesma origem para tudo: do verme ao homem, da pedra ao Sol.

Saia para o seu quintal neste instante, você que fez da televisão a suprema necessidade de sua vida: saia e olhe o céu! Procure três Estrelas que, em linha reta, estão uma atrás da outra e aparentam estar bem próximas. Pois bem: você olha agora para o centro da Constelação de Órion, o Caçador, uma das oitenta e oito Constelações que o homem inventou para se guiar e mapear o céu; de cima para baixo vemos Mintaka, Alnilam e Alnitak, esta última formando um Sistema Estelar Triplo. De Mintaka, indo para a direita em diagonal, encontramos a Estrela Aldebaran, na Constelação do Touro. De Alnitak, indo para a esquerda em diagonal encontramos a Estrela Sirius, a mais brilhante da noite e também um Sistema Binário, situada na Constelação de Cão Maior. Ainda partindo de Alnitak, desta vez para cima, vemos Betelgeuse, situada no ombro de Órion. Daqui, em linha reta para a esquerda, encontramos Procyon, na Constelação de Cão Menor. Betelgeuse, Procyon e Sirius formam o conhecido Triângulo de Inverno, que aparece no Hemisfério Sul; no Hemisfério Norte há o chamado Triângulo de Inverno, formado pelas Estrelas Vega, Deneb e Altair, que se situam nas Constelações de Lyra, Cisne e Águia, respectivamente.

Ainda em Órion, oposto a Estrela Betelgeuse, encontramos a Estrela Rigel, que junto com Sirius (em Cão Maior), Procyon (em Cão Menor), Pollux-Castor (na Constelação de Gêmeos, um Sistema Binário), Capella (Constelação do Cocheiro) e Aldebaran (em Touro) formam o conhecido Hexágono de Inverno.

Embora, vistas da Terra, pareçam tão próximas umas das outras, na verdade a distância que separa as Estrelas entre si é absurda: a Estrela Alfa Centauri, da Constelação do Centauro, que forma um Sistema Triplo, é a Estrela que nos é mais próxima: está localizada a cerca de 4,5 Anos-Luz do Sol, ou seja, está numa distância tão grande que a luz, viajando numa velocidade da ordem de 300.000 Km/s, demoraria cerca de quatro anos e meio para percorrer. E é a Estrela mais próxima!…

E eu fico pasmo ao saber que tais distâncias, tão grandes e praticamente intransponíveis para nós, nada representa para o universo: nossa Galáxia, a Via Láctea, tem um diâmetro da ordem de cem mil Anos-Luz; e nossa vizinha, a Galáxia Andrômeda, tem um diâmetro da ordem de duzentos mil Anos-Luz. A distância que separa estas duas Galáxias orça em torno de dois milhões e meio de Anos-Luz. Ambas as Galáxias têm entre 100-400 bilhões de Estrelas! Mas mal saímos do nosso “quarto galáctico”! Pois indo além vemos que as Galáxias próximas formam o chamado Grupo Local, um Aglomerado de cerca de trinta e seis Galáxias que perfazem um diâmetro de mais ou menos dez milhões de Anos-Luz. Aglomerados têm um diâmetro que varia entre três e trinta milhões de Anos-Luz e formam estruturas maiores, chamadas Superaglomerados: estruturas univérsicas que orçam em duzentos milhões de Anos-Luz de diâmetro.

E ainda podemos ir além, pois os Superaglomerados formam espécies de filamentos que podem se estender por bilhões de Anos-Luz! Esta é a estrutura de maior escala conhecida em todo o Universo Observável, que se estende por cerca de 93 bilhões de Anos-Luz de diâmetro. O Universo não-observável emite luz, mas ela jamais chegou ou chegará até nós. Isto porque a Expansão do Universo é Métrica, ou seja: ela não atua aumentando o tamanho do Universo, mas sim a distância entre dois pontos. E não só um ponto se afasta do outro como quanto maior a distância entre eles maior a velocidade de afastamento, de modo que, em determinado momento, a velocidade de Expansão em algum ponto pode, devido à distância, extrapolar a velocidade da luz sem, no entanto, infringir a Relatividade Geral, que basicamente proíbe que corpos massivos entrem na velocidade da luz.

Este é o motivo pelo qual a luz do Universo não-observável jamais chegará até nós, de modo que jamais ser-nos-á acessível, pois não só eles se afastam de nós como nós nos afastamos deles, visto que não há referenciais extáticos no Universo, não há centro do Universo, e tudo se afasta de tudo, em muitas e crescentes velocidades, na Expansão do Universo…

Eis porque acho a Astronomia a mais bela das Ciências, e porque olhar o céu me faz ficar pasmo e vivamente emocionado. Pegar um binóculo e olhar as crateras lunares, as Plêiades (um Aglomerado Estelar em Touro) ou então a Nebulosa de Órion; olhar Galáxias distantes e outros objetos do céu profundo pela ocular dum telescópio; ou simplesmente puxar uma cadeira e sentar na varanda de casa, e olhar o céu apenas com os olhos, pulando de Estrela em Estrela, indo de Constelação em Constelação, e meditar na grandeza, perfeição, majestade e beleza do Universo e no Ser que Crea sem cessar… Não há melhor terapia, não há melhor modo de saciar o Espírito, pois Paz e Alegria enchem-nos o Ser quando contemplamos um bom céu noturno. Vemo-nos a nós mesmos, no final das contas, ao olhar as Estrelas, pois nós, organicamente falando, somos poeira das Estrelas e tanto o verme quanto a Planta, tanto o Sol quanto a Galáxia, tiveram uma mesmíssima origem: o Big Bang, a Expansão da Singularidade, o próprio Universo, que fez existir o Espaço-Tempo e tudo que existe no mundo físico e material. Nós somos parte do Universo, da grande Obra de Deus, e quando percebemos que tudo é uma só coisa, e mesmo assim bem diferentes entre si, impossível é então olhar com desdém ao irmão que à porta pede pão. Impossível, então, não ver no piar dos passarinhos a Alegria de Deus, e na chuva torrencial a Potência de Seu Ser; na Dor prova de Sua Sabedoria e no raio do Sol o Seu Carinho Paternal. Pois contemplando o Universo contemplamos Deus manifestado aos homens – sem, no entanto, confundir-se com Sua própria Obra – e percebemos que somos irmãos em carne e em Espírito, pois no “Fiat Lux” tudo foi Creado na Bondade de Deus, Senhor da Vida e dos Mundos: a mim e ao meu corpo, a planta e ao inseto, a pedra, ao Sol, Galáxias e ao Universo.

Ah, Astronomia, felizes os que te conhecem e contemplam tua majestática beleza. Alegria, Serenidade, Paz e Esperança acompanham-lhos hoje e sempre na contemplação da Obra de Deus, da dança do Universo!

Jonas – Graça, Ação e Salvação

Novembro 1, 2009 luccannus Deixe um comentário

Introdução

No Antigo Testamento, na parte referente aos Livros Proféticos, encontramos o pequenino – mas riquíssimo em conteúdo! – Livro de Jonas, cuja estória parabólica, interessante e educativa, conta que, certo dia, um rapaz chamado Jonas recebeu um chamado de Deus para ir pregar contra a cidade de Nínive, cujos pecados eram do conhecimento do Senhor.

Jonas, porém, foge, compra uma passagem e vai-se embora num navio. Mas Deus manda uma enorme tempestade e os marinheiros, com medo, rezando cada um a seu deus, e achando que alguém era o culpado por aquela situação – pois pensavam que alguém tinha contraído a ira de algum dos deuses e todos iriam pagar pelo erro de um só – resolveram tirar a sorte a fim de ver qual deles era o culpado e, assim, tomar uma providência a fim de fazer cessar a ira que caia sobre eles. E acabou que, tirando a sorte, esta caiu em Jonas que, pressionado, contou o que aconteceu e, quando interpelado sobre o que deviam eles fazer a fim de aplacar a ira de Iahweh contra eles, Jonas respondeu que deveriam jogá-lo ao mar. E tão logo os marinheiros lançaram-no ao mar a tempestade cessou e os marinheiros encheram-se de temor por Iahweh.

No entanto, Jonas não pereceu, pois o Senhor, tendo uma missão para ele, que era pregar contra Nínive, ordenou que um enorme peixe engolisse Jonas; e ali, no ventre desse enorme peixe, Jonas passou três dias e três noites, sendo, ao final deste tempo, liberto em terra firme, após orar a Deus pedindo sincero perdão.

A Oração

A oração de Jonas aparece na maior parte do segundo capítulo do Livro de Jonas, e convém lê-la antes de tudo:

“E orou Jonas ao Senhor, seu Deus, das entranhas do peixe.

E disse: ‘Na minha angústia clamei ao Senhor, e Ele me respondeu; do ventre do inferno gritei, e Tu ouviste a minha voz.

Porque Tu me lanças no profundo, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as Tuas ondas e as Tuas vagas têm passado por cima de mim.

E eu disse: ‘Lançado estou para longe de Ti; todavia, tornarei a ver o Teu Santo Templo’.

As águas me cercaram até a alma, o abismo me rodeou, as algas se enrolaram na minha cabeça. Eu desci até aos fundamentos dos montes; a terra me cercou para sempre com os seus ferrolhos; mas Tu fizeste subir a minha vida da perdição, ó Senhor, meu Deus.

Quando desfalecia em mim a minha Alma, lembrei-me do Senhor; e chegou a Ti a minha oração, no Teu Santo Templo.

Os que observam as falsas vaidades deixam a Sua Misericórdia.

Mas eu Te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento, o que votei pagarei. Do Senhor vem a Salvação!’.

Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra seca.”. (Jonas, 2, 1-10).

Muitas considerações temos a fazer não só sobre a oração de Jonas como um todo, mas também quanto a todo o Livro de Jonas. No entanto, não é este o objetivo deste trabalho, onde analisaremos somente a última frase da oração de Jonas: “Do Senhor vem a Salvação!”.

Podemos, porém, dizer algumas palavras breves sobre a oração como um todo: Jonas, na oração inteira, deixa transparecer sua total confiança em Deus, e revela que em momento algum lhe faltou o amparo de Deus, que, para estar presente não necessita se mostrar. O ventre do inferno aludido por Jonas poderia ser tomado como o ventre da baleia, nas profundezas do oceano; mas convém não esquecer o que se passou antes de Jonas ser engolido pela baleia: ele havia tentado fugir de Deus. Logo, certamente vivia um vasto e profundo inferno em sua consciência. E afirma que, deste inferno, clamou pela Misericórdia de Deus, e Deus não lhe desamparou. Isto serve para mostrar o quão Misericordioso é o Senhor, que sempre nos perdoa e jamais deixará que nos percamos eternamente, pois sempre deixará uma porta aberta a fim de que nós tornemos à Sua Paternidade. Isto também corrobora as palavras de Deus em Ezequiel, 33, 11, quando é dito: “Juro por Mim mesmo – diz o Senhor Deus – que não quero a morte do ímpio, mas que ele se converta, abandone o seu mau caminho, e que Viva!”.

Jonas revela que tem plena consciência da lição que recebe de Deus ao ser lançado nas profundezas do mundo onde, na solidão, pode ele concluir que Deus está presente em todos os lugares, que jamais desamparada alguém; e, por esta convicção, exclama que tornará a ver o Santo Templo de Deus, que sua oração chegou ao Senhor e que Deus não lhe faltará.

Observa, ainda, que os que cumprem as suas vaidades, às quais ele chama ‘falsas’, deixam a Misericórdia de Deus, isto é, abandonam a Deus e Sua Misericórdia voluntariamente, por prazer aos desejos mundanos da vaidade. Mas diz que Deus não lhe falta e estará lá, Pai de coração aberto, a espera do filho quanto este desejar voltar. Então Sua Misericórdia alcançará a Alma do filho, e este será salvo, pois a Salvação pertence ao Senhor!

Como vemos, a oração de Jonas é riquíssima, como toda a narrativa, aliás, e comportaria muitas páginas de cuidadosa observação. No entanto, neste trabalho trataremos somente de uma frase desta oração, deixando para trabalhos posteriores o desenvolvimento de um comentário aprofundado da narrativa do Livro de Jonas, e da oração inteira.

Da Salvação

Nós fomos Creados simples e ignorantes a fim de, por nossos próprios esforços, conseguirmos evoluir, desenvolver e manifestar a nossa Essência que, Creada à Imagem e Semelhança de Deus, não pode ser senão Boa, Pura e Divina.

A simplicidade e a ignorância iniciais do Espírito de modo algum significam, como pretendem alguns menos esclarecidos, que o Ser seja mal e imperfeito.

O homem, na condição inicial, pode, através de seu Livre-Arbítrio Relativo – pois Absoluto somente Deus o é, em tudo – escolher entre um bom e um mau caminho. O bom caminho é o caminho por excelência, eterno como o próprio Deus, pois é Deus, Supremo Bem; e é este caminho marcado pela Luz, pelo Amor, e por todas as coisas mais sublimes que se possa imaginar. O mau caminho não existe desde sempre, nem é eterno: começa a existir quando o Ser opta por seguir o seu próprio caminho, não o de Deus, e termina quando o Ser resolve, como a criança em angústia, buscar o regaço de seu Pai; e é este caminho marcado por trevas, dores, maldade, egoísmo, e tudo quanto do mesmo naipe possamos imaginar.

Este caminho, feito pelo homem, é o responsável por aquilo que chamamos ‘mal’; e sendo que este caminho é manifestação da mais plena ausência do Bem, e sendo que ele não existe desde sempre e um dia passará, fácil concluir que o mal não existe senão como sendo a ausência do Bem, e que ele deixará de existir quando o Ser, deixando de seguir seu próprio caminho, abrir as portas de si mesmo para Deus, para o Bem, que jamais o abandonou e esteve lá, esperando ser ansiado, querido, invocado.

E o caminho forjado pela vontade do homem é o responsável por torná-lo, de Ser simples e ignorante, um ser mal e imperfeito; ao passo que a Essência dele, tal virgem intocada, permanece lá, adormecida, esperando ser despertada, a fim de brotar e dar muito fruto. Tal Essência poderá ser despertada, e tal fruto poderá brotar se o Ser, ao invés de seguir seu próprio caminho, seguir o de Deus e do Bem; e é este caminho que, quando seguido pelo Ser por escolha dele próprio, torna-o Perfeito e Puro.

Fácil, portanto, perceber que a Salvação pode-se dar em ambos os caminhos: quando se manifesta no caminho concebido pelo homem ela é o resgate do homem das trevas, do mal, do orgulho, do egoísmo, além de constante convite ao Bem e à resistência; e quando ela se manifesta ao homem no caminho de Deus ela é exclusivamente o convite ao Bem e à resistência, e também a dor benéfica que limpa o homem da imundície adquirida no seu próprio caminho – isto quando age ela no homem que passou e passa pelo seu próprio caminho, o que é mais comum; quando o homem, o que é mais raro, vem direto pelo caminho do Bem, desde o inicio, ela não precisa se tornar também a dor que limpa sujeiras, visto que as tais sujeiras não existem aí.

Percebemos, portanto, que o objetivo final da Salvação é tornar a Essência do homem totalmente manifesta e, assim, aproximá-lo de tal forma de Deus que se torne um com o Pai. E esta verdade é fácil de perceber quando, meditando com Jesus, lemos tais afirmativas no Santo Evangelho: “Bem-Aventurados os Puros de Coração, por verão a Deus”, “Vós sois a Luz do mundo! (…) Brilhe a vossa Luz…”, e ainda: “Sede Perfeitos como Perfeito é vosso Pai Celeste”.

Da Graça na Salvação

Ora, sendo que é este o objetivo da Salvação, e sendo que fomos Creados por Deus para isto, segue-se que a Salvação, embora se manifeste em um dos caminhos, está conosco, como que imanifesta, desde o princípio do nosso existir. Disto segue-se que a Salvação é um presente da Misericórdia de Deus para nós; é um favor Divino, por assim dizer; e a este favor chamamos Graça.

Pela Graça de Deus nós fomos Creados – e aqui, neste instante que precedeu o nosso inicio, a Graça foi Absoluta e Única, visto que, não existindo, não tínhamos mérito algum; e mesmo agora, existindo, o nosso mérito, por mais que seja à nossa conta, é pó perante a Glória de Deus, e só é contado à conta de mérito porque grande é a Misericórdia e a Piedade e a Bondade de Deus. E, em última conseqüência, até aqui, mesmo convivendo, por assim dizer, com nossos méritos, a Graça de Deus continua Absoluta e Única.

Ora, a Graça de Deus não nos concedeu somente a existência, mas concedeu-nos, concede-nos e conceder-nos-á tudo, hoje e sempre. E não é diferente com a Salvação: dulcíssima Graça do Senhor dos Mundos para nós, é por ela e, em última análise, pela Graça, que evoluímos e nos aperfeiçoamos e nos tornamos tão perfeitos quanto possível nos é.

Logo, a Graça é, de longe, a principal responsável pela nossa evolução, pelo nosso aperfeiçoamento, pela nossa Salvação, enfim, e também é a única responsável pela nossa existência.

Da Ação na Salvação

O fato de que nós somos produto da Graça de Deus e só podemos evoluir nesse constante vir-a-ser da existência por meio da Graça, que produz também a Salvação, não implica em que nosso desenvolvimento e aperfeiçoamento estejam fora de nosso controle. Se assim fosse, impossível seria que, com nosso Livre-Arbítrio, perdêssemo-nos nas trevas do nosso caminho ou salvássemo-nos na Luz do caminho de Deus, nosso Pai. Impossível mesmo seria que tivéssemos Livre-Arbítrio.

Ora, a nossa vontade, a nossa ação, são fatores importantíssimos e igualmente essenciais para o nosso aperfeiçoamento e Salvação, pois se a Graça de Deus nos envia as oportunidades de Salvação, não nos obriga a aceitá-las: permite que escolhamos entre aceitá-las ou não. Quando não aceitamo-la, tornamos àquele velho caminho escuro que criamos para nós; mas quando aceitamos a ajuda Divina não só nos aperfeiçoamos mais ainda como Deus, em Sua Infinita Bondade, ainda leva-nos a escolha favorável em conta de mérito pessoal, recompensando-nos por isto! Mas que mérito é este senão um mérito insignificante perante a Graça, de fato? E quão incompreensível chega a ser o Amor e a Dedicação dum Pai a ponto de considerar como precioso ouro a migalha produzida por seus filhos, recompensando-os por isto? Só o maior Amor do Cosmos para dar-nos algo que não mereceríamos jamais, pois que tudo quanto produzimos na eternidade não chega ao valor mínimo do mais singelo benefício que Deus nos concedeu. Só a maior Paternidade do Cosmos poderia gerar a vida sem esperar, antes, ser pago com os méritos da vida inexistente! Só Ele, Deus, o Pai por excelência, seria e é capaz disto tudo, e quão abençoados somos nós por termos o Amor dum tal Pai, por tal Pai existir!

Logo, nossa ação consiste em usar favoravelmente a Graça que chega até nós, com o auxílio do nosso Livre-Arbítrio que, bem sabemos já, também é algo que nos foi dado pela Graça, pela Bondade, pelo Amor, pela Misericórdia de Deus. E, bem aproveitada, a Graça faz com que sejamos salvos, isto é, tornemo-nos Perfeitos e Puros, integrados com o Pai, e ainda faz com que nosso miserável produto seja nosso mérito aos olhos do Senhor do Universo.

Conclusão

Assim, vemos a grande importância da nossa vontade, da nossa ação, na questão da nossa evolução e da nossa Salvação sem, no entanto, desprezar o real e maior valor da Graça Divina, não só no caso da evolução e aperfeiçoamento próprios, mas também de uma forma geral, em tudo quanto nos diga respeito, a começar pela própria existência.

Desta forma, relendo Jonas 2, 9, podemos compreender com a assertiva excepcional e verdadeira que marca de forma memorável o final da oração de Jonas que, de fato, a Salvação pertence a Deus, e que se temos algum papel na mesma, é absolutamente por Misericórdia de Deus, e não por real necessidade, pois se dependêssemos somente de nós mesmos para a nossa Salvação, jamais seríamos salvos, visto que todo o nosso esforço representa um grande nada perante a Potência e a Glória de Deus; e como disse Jesus, nós não podemos fazer um só fio de cabelo ficar preto ou branco por nossa vontade e ação própria – quanto mais, então, salvar-nos a nós mesmos sem a ajuda, sem a Graça de Deus!

Concluímos, portanto, nosso breve comentário a Jonas, 2, 9, com o entendimento um pouco mais esclarecido acerca da Sublime Verdade, que é Deus e vem de Deus. E, tendo a certeza de que conseguimos deixar bem claro a grandiosidade do problema, esclarecendo-o um pouco que fosse, damos por findo este trabalho, fazendo sinceros votos de que ele passe no teste de Cristo e não se consuma nas chamas, mas faça parte da grande Obra do Senhor, como peça das mais humildes e insignificantes. São estes os nossos votos.

Que a Bênção e a Graça de Deus não nos faltem jamais; e que a Luz de Jesus não nos deixe desamparados. Amém.